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A Associação Nacional de Transportes de Cargas (ANTC), que atua na região portuária de Santa Catarina, anunciou paralisação das atividades a partir de 12h desta quinta-feira (19). Mas a greve dos caminhoneiros não vai afetar o Piauí. É o que garante Humberto Lopes, presidente do Sindicato dos Transportadores de Cargas e Logística do Piauí (Sindicapi).
O movimento grevista vem crescendo no Brasil por parte de entidades representativas dos caminhoneiros após a alta do preço do diesel. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o valor médio do litro do diesel subiu quase 12% na última semana e alcançou R$ 6,80. A ANTC considera as medidas tomadas pelo governo “fracas e insuficientes” e cobra atualização da tabela do piso do frete.
A paralisação anunciada para hoje (19) deve afetar transportadores de carga em Santa Catarina e no Porto de Santos, se concentrando mais nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Mas para o Piauí, não há nenhum movimento marcado.

“Quando tem greve dos caminhoneiros, o Piauí é um dos últimos a ser atingido. Estão prometendo paralisação a partir do meio dia em São Paulo e Santa Catarina, mas até o momento a situação está calma. A greve em si é principalmente no Porto de Santos e no setor do agronegócio. É possível que haja uma paralisação em outros estados, mas no Piauí não há sinalização para isso”, garantiu Humberto Lopes.
Ele acrescenta que uma eventual greve dos caminhoneiros geraria mais prejuízos do que vantagens para o setor e lembrou do último grande movimento da categoria, em 2018. Naquele ano, a paralisação afetou o abastecimento em vários setores do país e gerou prejuízos enormes para a própria categoria, segundo o Sindicapi.
“Na última greve, os prejuízos foram muito grandes. Teve gente que atrasou prestações de carro e tudo o mais. E tem sempre o medo de fazer bloqueio numa rodovia e terminar sofrendo algum tipo de violência. O que está puxando essa greve no restante do país é o pessoal do Porto de Santos, mas aqui no Piauí estamos tranquilos. As transportadoras estão trabalhando e não vamos parar”, finaliza o presidente da entidade.

Governo anunciou medidas para evitar paralisações
Nesta quarta (18), o ministro dos Transportes, Renan Filho, divulgou medidas para cumprimento do piso mínimo do frete e à garantia de remuneração adequadas dos motoristas de cargas. A fiscalização foi ampliada e será reforçada pela adoção de novas penalidades para os infratores.
“O governo autuou empresas em cerca de R$ 419 milhões em multas ao longo dos últimos quatro meses. Havia uma medida de 300 autuações mensais na gestão anterior. O número passou para 6 mil em 2025 e chegou a 40 mil em janeiro de 2026”, detalhou o ministro.
Entre as novas medidas anunciadas estão sanções mais severas às empresas, como impedimento da contratação de frete em caso de tentativa de pagamento abaixo do piso mínimo ou de suspensão do registro em situações de reincidência.