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Shakira reúne sua alcateia em noite histórica em copacabana
Com repertório reformulado, participações especiais e uma entrega física intensa, a cantora transformou a Praia de Copacabana em celebração de sua trajetória, da latinidade e da força
Por Dulina Fernandes
Publicado em 03/05/2026 12:38
Brasil
Shakira

Antes de subir ao palco da Praia de Copacabana neste sábado (2), Shakira já sabia a dimensão do que encontraria no Rio. Depois de um show histórico no Zócalo, México, ela chegou a Copacabana para mais um capítulo marcante de sua trajetória. Segundo o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), a apresentação reuniu 2 milhões de pessoas.

O roteiro era familiar para os fãs brasileiros, mas não idêntico. Depois de trazer a turnê "Las Mujeres Ya No Lloran" ao país em 2025, a cantora promoveu ajustes no repertório para a escala monumental de Copacabana.

Na esteira das passagens de Lady Gaga e Madonna, Shakira sabia o peso simbólico dessa apresentação. Nas semanas que antecederam o show, alimentou a expectativa dos fãs nas redes sociais. Apesar do atraso de mais de uma hora, o público não desanimou. O maior trunfo da apresentação esteve na energia física da artista: ela conduziu a plateia com tanta intensidade que era difícil resistir ao impulso de dançar.

A abertura com "La Fuerte" já antecipava o clima do espetáculo: uma faixa eletrônica pulsante que serviu como declaração de intenções. Na sequência, "Girl Like Me" reforçou uma das marcas da noite: a celebração das mulheres, especialmente das latinas. O ritmo seguiu com "Las de la Intuición" e "Estoy Aquí", embora esta última tenha aparecido em versão reduzida — breve demais para um dos hits mais queridos pelo público brasileiro.

A emoção tomou conta quando imagens de seus filhos, Milan e Sasha, surgiram nos telões durante "Acróstico". Escrita como uma carta de amor para os dois, a faixa transformou o espetáculo em um raro momento de intimidade. O clima esquentou com o medley de "Copa Vacía", "La Bicicleta" e "La Tortura", uma síntese da latinidade que atravessa sua obra. São hits que sustentariam performances inteiras, mas um repertório tão extenso exige concessões.

Homenagens às mães solos

"No Brasil existem mais de 20 milhões de mães solteiras, eu sou umas delas. Eu dedico esse show a todas elas", falou na introdução de "Soltera".

Quando chegou a vez de apresentar Anitta, Shakira a chamou de "rainha". Essa foi a primeira vez que elas se cantaram juntas ao vivo "Choka Choka".

Ela engatou "Pies Descalzos, Sueños Blancos" e "Antología", em uma versão acústica. Ela até tentou pedir ajuda para o público cantar, mas o público demorou a responder, e o clima esfriou por alguns instantes.

Santo Amaro no palco

Ter participações especiais em megashows não é novidade. Mas a presença de Caetano Veloso e Maria Bethânia pegou o público de surpresa já nos ensaios.

Ao lado de Bethânia e dos integrantes da bateria da Unidos da Tijuca, Shakira cantou “O Que É, O Que É?” (1982), um dos maiores sucessos de Gonzaguinha. Já o encontro com Caetano emocionou ao cantar “Leãozinho", música que a colombiana entoa para o filho Milan dormir.

Repetindo o Rock in Rio de 2011, Shakira voltou a dividir o palco com Ivete Sangalo cantando "Pais Tropical". Claro que a baiana transformou a breve participação em uma mini micareta.

Embora tenha ocupado o maior palco da história do evento, isso não significou apoio em grandes cenários. Muito pelo contrário: a grandiosidade foi sustentada por elementos simples e pela força da performance.

As areias de Copacabana se transformaram em uma floresta de lobas, uivando em coro enquanto os mandamentos da loba eram projetados nos telões e uma estrutura gigantesca de lobo invadia o palco. Até que a loba-mor surgiu para cantar "She Wolf" e "Bzrp Music Sessions, Vol. 53".

Após mais de duas horas de show, ficou a certeza de que Shakira mantém um domínio de palco impressionante e uma voz que ainda carrega a força da jovem de 19 anos que conquistou o Brasil há quase três décadas.

Se Copacabana é, como a própria artista definiu, um altar da Terra, essa noite ela ocupou o centro dele, reverenciada por uma multidão de súditos da loba.

Fonte: G1

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