Foto: Carlos Dias / MEC
Diminuir a desigualdade racial tem sido uma luta constante no Brasil e que ganhou reforço recente dentro da educação pública. Prefeitos precisam cumprir metas de redução desses índices para que os municípios recebam recursos extras do Ministério da Educação (MEC). Mas, além das metas, outro ponto fundamental que vem sendo discutido é o papel do professor, que não deve ser apenas técnico, mas também emocional e incentivador.
O MEC enfrenta um desafio nessa área. Apesar de oferecer cursos gratuitos de formação e profissionalização para professores atuarem com grupos vulneráveis, a procura ainda é considerada baixa e poucos concluem as capacitações.
Um exemplo foi o curso de formação para atuação com pessoas autistas. Das 250 mil vagas ofertadas, apenas cerca de 89 mil professores se inscreveram e, ao final, somente 11 mil concluíram a formação.
Agora, o ministério vai disponibilizar mais de 260 mil vagas em cursos voltados para a equidade racial. Para garantir maior participação, durante o evento Rotas da Equidade, realizado nesta segunda-feira (18) em Brasília, a secretária Zaira Figueiredo pediu que prefeitos e gestores incentivem os professores a participarem e concluírem as formações.
“Olha, não existe nenhuma profissão no mundo em que a sua formação, seja licenciatura ou bacharelado, dê preparo para a vida inteira. Ser professor é constantemente investir intelecto. O nosso trabalho é intelectual. Portanto, não existe licenciatura nem bacharelado que forme para a vida toda. Então, é necessário que isso seja parte da formação, da concepção e do compromisso político e ético do professor. Nós oferecemos os cursos, agora, se não há um incentivo dos prefeitos para que isso seja feito, a tendência é que eles não façam”, reforçou Zaira Figueiredo, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI).
Ela afirmou que a situação ainda representa um desafio, principalmente para fazer os gestores entenderem que essa parceria traz benefícios para os municípios, que vão ter profissionais capacitados e vão cumprir as metas que garantem mais recursos federais, e que não se trata de politicagem.
“É difícil. Essa agenda da equidade é uma agenda mais recente. Então, eu quero acreditar, com a paciência histórica de quem tem mais de 30 anos de educação, que a gente precisa agora aceitar essa relação entre ministério e prefeitos para que isso deixe de acontecer. É menos frustração e mais articulação política entre esses atores. É paciência histórica”, destacou.
Professor precisa ser um incentivador
Foto: Carlos Dias / MEC

Zaira Figueiredo reforçou que, na luta contra a desigualdade racial, os professores precisam compreender o papel que exercem dentro da sala de aula.
“Quando a gente fala de professor, não é responsabilizar o professor individualmente, mas é preciso, por exemplo, que se esteja atento à expectativa docente, ou seja, à expectativa que o professor tem sobre a aprendizagem de um estudante negro. Isso tem um efeito enorme sobre esse estudante”, destacou.
Ela explicou que o professor nunca pode projetar que um aluno negro possui menos potencial ou agir como se esperasse pouco daquela pessoa, porque isso acaba reduzindo estímulos e afetando diretamente o desenvolvimento do estudante.
“Porque, em educação, quanto mais o estudante percebe que você espera dele, que você acredita que ele vai aprender, mais ele responde em termos de aprendizagem. Se o professor já parte do pressuposto de que um estudante negro ‘não aprende’ ou ‘tem problema’, a tendência é aumentar ainda mais a desigualdade. É preciso que o professor tenha uma alta expectativa docente sobre esse estudante. Também é necessário que a distribuição de afeto dentro da sala de aula seja objeto de atenção, porque a forma como você distribui afeto entre os estudantes tem relação com aprendizagem, autoestima e identidade”, reforçou.
Escola Nacional de Hip-Hop
Outra iniciativa destacada pelo MEC é a Escola Nacional de Hip-Hop, criada para levar elementos como rap, grafite e breaking para a sala de aula como ferramenta pedagógica.
O objetivo é promover inovação curricular, combater desigualdades e incentivar o engajamento de estudantes da rede pública. As inscrições já estão abertas para que os municípios façam adesão ao programa.