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Lula chama Flávio Bolsonaro de imbecil, traidor e associa ‘família metralha’ à ameça de novo tarifaço dos EUA
Presidente acusa filhos do ex-presidente de atuarem contra interesses brasileiros após relatório americano propor tarifa de 25% sobre produtos nacionais
Por Dulina Fernandes
Publicado em 02/06/2026 18:28
Brasil
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão – GO/Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom das críticas contra a família Bolsonaro nesta terça-feira (2) ao comentar a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Durante discurso, Lula responsabilizou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por supostamente incentivarem medidas que podem prejudicar a economia nacional.

Flávio, no entanto, diz que tentou convencer o presidente dos EUA, Donald Trump, a não aplicar novas taxações contra a economia brasileira.

A declaração de Lula ocorreu após o governo norte-americano concluir uma investigação comercial que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas restritivas ao comércio dos Estados Unidos. Como resultado, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) sugeriu a adoção de tarifas sobre mercadorias brasileiras, embora a medida ainda não tenha entrado em vigor.

Lula ataca família Bolsonaro

Ao abordar o tema, o presidente afirmou que os filhos do ex-presidente teriam atuado politicamente para pressionar o Brasil no cenário internacional e classificou a postura da família como prejudicial ao país.

“A gente está lidando com a pior espécie de ser humano. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente teve com essa família metralha. Ele [Flávio] hoje foi dizer que não falou nada. Ele foi pedir arrego. Porra trump, dá uma porrada no Lula, imbecil. Ele vai prejudicar o povo, os empresários brasileiros, o agronegócio nosso. Como deus escreve certo por linhas tortas”, afirmou Lula.

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. São na verdade vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, disse Lula o presidente, em Catalão (GO).

O presidente também mencionou publicações feitas por um dos filhos de Jair Bolsonaro após o anúncio das medidas americanas, sugerindo que integrantes da família comemoraram a iniciativa dos Estados Unidos.

Referência a postagem sobre Trump

Durante o discurso, Lula relembrou uma publicação feita em julho de 2025 por um dos filhos do ex-presidente, que é apontado como possível candidato à Presidência da República.

“No dia em que ele [Trump] taxou, os ‘meninos do Bolsonaro’, um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, ele postou: ‘Obrigado Trump, faça o brasil livre de novo’. Queremos o Magnistky’ “, relatou Lula.

As declarações ocorreram em meio ao aumento da tensão política entre governo e oposição em torno dos impactos econômicos e diplomáticos da investigação conduzida pelos Estados Unidos.

Defesa do Pix e pressão das big techs

Em outro momento, Lula disse que o país manterá o Pix, que vem desagradando às empresas de cartão de crédito, e se dirigiu diretamente ao presidente norte-americano.

“É assim que quero que o Trump saiba: nós aqui não temos medo de cara feia, nós não queremos guerra com ninguém, queremos paz e queremos ser respeitados. O Pix é uma invenção brasileira, ele faz um bem para o povo brasileiro. Então, Trump, é o seguinte, cara: Você disse que pintou uma química entre eu e você. Quem anunciou isso, não foi você e nem eu. Você me deve uma reunião, e eu devo uma pra você”, argumentou.

O que prevê a investigação dos EUA

O relatório divulgado pelo governo americano aponta supostas práticas brasileiras que, segundo as autoridades dos Estados Unidos, estariam onerando ou restringindo o comércio bilateral. Entre os temas citados estão o sistema de pagamentos Pix, o combate ao desmatamento ilegal, a pirataria e a aplicação de normas anticorrupção.

Com base nas conclusões da investigação, o USTR propôs uma sobretaxa de 25% para produtos brasileiros exportados ao mercado americano. Entretanto, diversos itens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ficaram de fora da lista, incluindo carne, frutas, café, aeronaves e minerais raros.

Apesar da proposta, a tarifa ainda não entrou em vigor. A legislação norte-americana exige a conclusão formal do processo investigativo e a realização de consultas públicas antes da implementação de eventuais sanções comerciais. Enquanto isso, o governo brasileiro acompanha os desdobramentos e busca evitar impactos sobre as exportações nacionais.

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