Wellington Dias defende aliança com o centro e admite falhas na relação com Congresso
Ministro do Desenvolvimento Social afirma que governo errou ao não consolidar maioria simples na Câmara e no Senado e aposta em palanques estaduais para fortalecer projeto de 2026
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que a estratégia para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 passa pela ampliação do diálogo com forças políticas de centro. Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro avaliou que um dos principais equívocos do terceiro mandato foi não garantir uma maioria simples no Congresso Nacional.
Responsável por atuar na coordenação da campanha de Lula no Nordeste, o ex-governador do Piauí defendeu a construção de alianças estaduais que assegurem governabilidade em um eventual novo mandato. Segundo ele, o governo deixou de consolidar uma base parlamentar suficiente para aprovar a maior parte das matérias de interesse do Executivo.
Relação com o Congresso
Na avaliação de Wellington Dias, houve falhas na condução política junto aos aliados. Para o ministro, o governo deveria ter concentrado esforços na manutenção de uma maioria simples na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
“Temos que cuidar das duas Casas e ter uma maioria simples nelas. Qual foi o erro político desse terceiro mandato do presidente Lula? A obsessão de ter dois terços na Câmara e no Senado, que era impossível, fez com que a gente não valorizasse a chance que tínhamos de ter acima de 257 votos na Câmara e acima de 41 no Senado. A gente saiu do resultado da eleição de 2022 com 39 senadores. Bastava que a gente cuidasse bem deles, buscasse dialogar com mais parlamentares e teríamos uma maioria simples que é o que um governo precisa para 95% das matérias que chegam ao Parlamento.”, afirmou.
O ministro destacou ainda que a construção dessa maioria passa por acordos firmados nos estados, respeitando as particularidades de cada região e fortalecendo lideranças locais.
Reaproximação com Alcolumbre
Durante a entrevista, Wellington Dias também defendeu a retomada do diálogo entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo ele, divergências ocorridas nos últimos anos podem ser superadas por meio da negociação política.
Ao comentar a possibilidade de o presidente reenviar o nome do ministro Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro ressaltou que a indicação é uma prerrogativa constitucional do chefe do Executivo.
“É possível reenviar o nome e um direito do presidente da República. Precisamos alcançar os votos que faltaram para ter a maioria, por meio de diálogo com Alcolumbre e senadores e senadoras”, declarou.
Estratégia eleitoral para 2026
O ministro afirmou que a formação de palanques estaduais será fundamental para a disputa presidencial. Segundo ele, em alguns estados a esquerda lidera as alianças, enquanto em outros o apoio virá de lideranças de centro alinhadas ao governo federal.
Para o ministro, a reorganização política nos estados permitirá maior identificação entre parlamentares, governos locais e eleitores, fortalecendo a sustentação política de um eventual novo mandato de Lula.
Críticas a Flávio Bolsonaro
O ministro também comentou a atuação do senador Flávio Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo Wellington Dias, a movimentação teria o objetivo de desviar o foco das investigações relacionadas ao Banco Master.
“Nada mais claro entre tantos passos do pré-candidato Flávio Bolsonaro como esse de abafar o escândalo do Master”, afirmou.
Ele ainda criticou a iniciativa, classificando-a como contrária aos interesses nacionais, e defendeu a continuidade da cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Bolsa Família
Questionado sobre um possível reajuste no Bolsa Família, Wellington Dias afirmou que não há previsão de aumento do benefício em 2026. Segundo ele, eventuais mudanças deverão ser discutidas apenas durante a elaboração do Orçamento de 2027.
“A princípio não há razão para alteração neste momento”, disse o ministro.
De acordo com o ministro Wellington Dias, a avaliação será feita posteriormente pelo governo federal e dependerá de análises técnicas e orçamentárias.