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Denunciada onda de ataques em massa via Whatsapp contra o grupo de Rafael Fonteles
Centenas de contas comerciais espalham fake news sobre o governador do Piauí e seu grupo político; ataques se intensificaram no fim de semana e podem gerar cassação
Por Dulina Fernandes
Publicado em 29/06/2026 17:20
Piaui
Imagem produzida por IA com críticas ao governo Rafael Fonteles

Uma onda de disparos em massa de conteúdos falsos (fake news) e ataques políticos tem invadido os celulares de milhares de piauienses nos últimos dias. As mensagens, direcionadas contra o governador Rafael Fonteles (PT) e seu grupo político, estão sendo enviadas por dezenas de contas comerciais registradas não apenas no Piauí, mas principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

O portal Piauí Hoje recebeu uma série de denúncias com dezenas de relatos de leitores e internautas sobre a invasão de seus aparelhos por mensagens originadas de variadas contas comerciais, muitas delas em nome de pessoas fictícias. As vítimas afirmam estar recebendo conteúdo político falso ou difamatório contra o grupo liderado pelo chefe do Executivo do Piauí.

Segundo os relatos, os disparos se multiplicaram durante o fim de semana, sobrecarregando as caixas de entrada dos aplicativos de mensagem. Uma das empresas apontadas como responsável pelos envios seria a "Brasil em Destaque", cuja conta foi cadastrada no WhatsApp há pouco mais de um mês. Os internautas relatam que já bloquearam dezenas de contas, mas novas surgem constantemente, indicando uma estrutura organizada de disparo em massa com os mesmos conteúdo.

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Print de mensagens feito por internautas e leitores do Piauí Hoje

O impacto da desinformação no Brasil

O fenômeno observado no Piauí reflete um padrão nacional. Levantamento da Agência Lupa de Checagem, divulgado em novembro de 2025, analisou 244 mil mensagens únicas identificadas como "encaminhadas com frequência" em 110 mil grupos públicos do WhatsApp, entre julho de 2024 e julho de 2025. O estudo aponta que o STF e o governo federal são os principais alvos das mensagens que mais se espalham no aplicativo, presente em 99% dos smartphones do país.

O relatório "O Brasil do Zap" mostrou que o WhatsApp se consolidou como a principal infraestrutura de comunicação brasileira e também o espaço onde circulam informações falsas, discursos políticos e conteúdos de alto engajamento. Dos 468 conteúdos comprovadamente falsos que circulavam na plataforma, 133 (57%) eram relacionados à política nacional.

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Print de mensagens feito por internautas e leitores do Piauí Hoje

Crimes e penalidades

O disparo de fake news e calúnias contra candidatos e gestores públicos pelo WhatsApp configura crimes eleitorais e comuns, podendo resultar em prisão, pesadas multas e até cassação de registro ou mandato do candidato beneficiado pela desinformação. Os principais delitos incluem:

Calúnia Eleitoral: Caluniar alguém na propaganda eleitoral ou com fins de propaganda, imputando falsamente a prática de crime. Pena de detenção de 6 meses a 2 anos e pagamento de multa.

Divulgação de fake news: Divulgar, durante o período de campanha, fatos que sabe serem falsos sobre partidos ou candidatos para influenciar o eleitorado. Pena de detenção de 2 meses a 1 ano e multa.

Crimes contra a honra: O uso de contas falsas (perfis fake) para atacar a honra pode configurar crimes de calúnia, difamação ou injúria, com penas aumentadas por estarem sendo cometidas em rede social ou aplicativo de grande alcance.

Falsa identidade: Criar conta no WhatsApp atribuindo a si ou a outrem identidade falsa para obter vantagem ou causar dano. Pena de detenção de 3 meses a 1 ano, ou multa.

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Print de mensagens feito por internautas e leitores do Piauí Hoje

Agravantes e punições extras

A desinformação dolosa comprovada pode ser enquadrada como abuso de poder, acarretando a cassação do mandato ou do registro do candidato envolvido. Tanto quem cria a fake news quanto quem a compartilha massivamente pode responder judicialmente.

Segundo o relatório da Agência Lupa, os conteúdos de maior alcance circulam predominantemente em grupos autodeclarados de direita, que são quase sete vezes mais numerosos que os de esquerda. Além disso, o estudo aponta que o uso de inteligência artificial ainda é limitado na criação de desinformação que circula no aplicativo: apenas 7% dos conteúdos falsos analisados usavam IA, concentrando-se principalmente em golpes e fraudes digitais.

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Print de mensagens feito por internautas e leitores do Piauí Hoje

Fonte: Redes sociais e Wathsapp

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