Conselho de Comunidades Evangélicas declara apoio à reeleição de Lula
Em carta pública, entidade afirma que decisão foi baseada na defesa da democracia, da justiça social, da soberania nacional e de políticas voltadas à população vulnerável
Ricardo Stuckert O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT)
O Conselho Nacional das Comunidades Evangélicas (CONCE) declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. A decisão foi anunciada por meio de uma carta pública, na qual a entidade afirma que sua posição é fundamentada na defesa da democracia, da soberania nacional, da justiça social e de políticas públicas voltadas à população mais vulnerável.
No documento, intitulado Carta Pública Eleições 2026, o conselho afirma ter avaliado o atual cenário político brasileiro e refletido sobre princípios que, segundo a entidade, orientam sua atuação, como a defesa da vida, da dignidade humana, da justiça, da paz, da solidariedade e da proteção às pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Depois de refletirmos sobre esse cenário e de buscarmos discernimento à luz dos valores que orientam nossa fé e nossa consciência, manifestamos nosso apoio à continuidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República nas eleições de 2026”, afirma a entidade.
Segundo o CONCE, a decisão de apoiar Lula está relacionada à avaliação de que sua liderança representa, neste momento, um caminho para a defesa das instituições democráticas e para a continuidade de políticas sociais.
Defesa da democracia
Na carta, o conselho destaca a atuação do presidente na defesa da democracia e no respeito às instituições brasileiras. A entidade também cita políticas voltadas à redução das desigualdades sociais e à proteção da população mais vulnerável.
“Reconhecemos a importância da atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na defesa da democracia, no respeito às instituições e na condução de políticas voltadas à redução das desigualdades e à proteção daqueles que mais precisam”, diz o documento.
A entidade também condena a violência política, o discurso de ódio, a intolerância e iniciativas que possam representar ameaças ao funcionamento das instituições democráticas.
Para o conselho, o respeito à Constituição, às instituições e à vontade popular expressa por meio das urnas é fundamental para a preservação da democracia no país.
Apesar de declarar apoio à reeleição de Lula, o CONCE afirma que manterá autonomia e independência em relação ao governo.
Segundo a entidade, o posicionamento eleitoral não significa concordância irrestrita com todas as decisões da gestão federal e o conselho continuará fazendo cobranças e questionamentos quando considerar necessário.
“Esse apoio não significa renunciar à nossa autonomia. Continuaremos dialogando, questionando, reivindicando e cobrando. Apoiar não significa deixar de fiscalizar. Ter uma posição não significa abandonar a capacidade de discordar”, afirma a carta.
O conselho diz que continuará defendendo políticas voltadas à redução das desigualdades, à valorização do trabalho, à proteção das famílias, ao respeito às diferenças e à preservação do meio ambiente.
Entidade diz que não quer determinar voto dos fiéis
O CONCE também ressalta que o apoio institucional à candidatura de Lula não representa uma orientação obrigatória de voto para os integrantes das comunidades evangélicas.
A entidade afirma reconhecer o direito de cada cidadão de fazer suas próprias escolhas políticas de acordo com sua consciência, seus valores e sua fé.
“Nossa posição é pública, mas nossa consciência continua livre. Cada cidadão tem o direito de fazer suas próprias escolhas políticas, de acordo com sua consciência, seus valores e sua fé”, afirma o documento.
Ao longo da carta, o conselho defende ainda que a fé cristã deve estar associada à preocupação com as pessoas em situação de pobreza e vulnerabilidade, além da defesa da justiça social e da redução das desigualdades.
A entidade cita como prioridades a proteção de crianças, idosos, famílias e trabalhadores, além da criação de oportunidades para pessoas em situação de exclusão social.
O documento termina com um apelo para que as divergências políticas não sejam transformadas em hostilidade e defende o respeito entre pessoas com diferentes posições eleitorais.
“Que nossa fé apareça menos nos discursos e mais nas nossas atitudes”, conclui a entidade.