O Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, terá uma nova administradora. A espanhola Aena venceu nesta segunda-feira o leilão de repactuação da concessão, realizado na B3, em São Paulo, com uma proposta de R$ 2,9 bilhões — mais que o triplo do valor mínimo estabelecido.
O certame foi marcado por forte concorrência. Além da Aena, participaram a atual operadora RIOGaleão (sob o nome Rio de Janeiro Aeroporto) e a suíça Zurich. A disputa seguiu para lances em viva voz e terminou após 26 rodadas, com ágio de 210,88%.
Disputa acirrada elevou valor da concessão
O lance mínimo era de R$ 932 milhões. Na fase inicial, Aena e Zurich apresentaram propostas idênticas de R$ 1,5 bilhão, enquanto a RIOGaleão ofertou valor próximo ao piso. Durante a etapa final, a Zurich chegou a encostar nos espanhóis com lances mínimos, mas a Aena reagiu com ofertas mais agressivas até garantir a vitória.
O contrato prevê pagamento à vista e concede à vencedora o controle total do aeroporto até 2039. A Infraero, que detinha 49% da concessão, deixará a sociedade.
Novo modelo busca equilíbrio econômico
A relicitação foi viabilizada após acordo homologado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), substituindo a devolução do ativo por um novo leilão com regras atualizadas. Entre as mudanças, está a troca da outorga fixa por contribuição variável de 20% sobre a receita bruta.
Também foi retirada a obrigação de construção de uma nova pista, reduzindo custos e adequando o contrato à demanda atual. Em 2023, o Galeão movimentou 17,5 milhões de passageiros, embora tenha capacidade para mais de 30 milhões por ano.
Segurança jurídica e reestruturação do setor
O novo contrato inclui mecanismos de compensação caso o aeroporto Santos Dumont ultrapasse limites operacionais, além de encerrar disputas bilionárias entre concessionária e União, ampliando a segurança jurídica.
A concessão original, leiloada em 2013, enfrentou dificuldades com a crise econômica e os impactos da pandemia. Em 2022, o terminal chegou a registrar apenas 6 milhões de passageiros. Medidas recentes do governo, como a restrição de voos no Santos Dumont, ajudaram a recuperar o movimento do Galeão, que voltou a crescer.
Analistas apontam que a coordenação entre os aeroportos do Rio será decisiva para o sucesso da nova fase do Galeão, que busca se consolidar como principal hub internacional da cidade.