“O país inteiro pode ser eliminado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã”, disse Trump em coletiva na Casa Branca, ao comentar possíveis ações militares contra Teerã.
A fala ocorreu pouco tempo depois de tanto os americanos quanto os iranianos sinalizarem que discordam e rejeitam o plano de paz, encabeçado pelo Paquistão, que previa um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura imediata do estreito de Ormuz.
Trump voltou a pressionar o Irã a aceitar um acordo até o prazo estabelecido por Washington, sob risco de ataques a infraestruturas estratégicas, como usinas de energia e pontes — a advertência vale até as 21h desta segunda no horário de Brasília.
Teerã afirmou que se recusa a aceitar qualquer pausa temporária no conflito porque o tempo jogaria a favor de Washington, já que os americanos conseguiriam renovar seu arsenal e voltar mais fortes para a guerra.
‘Resgate histórico’
Trump abriu a coletiva destacando o sucesso de uma operação de resgate de militares americanos no Irã, que classificou como “uma das maiores, mais complexas e mais arriscadas já realizadas”. “Este resgate é histórico. Vai entrar para a história”, afirmou.
Segundo ele, tropas americanas enfrentaram fogo inimigo “a uma distância muito próxima” durante a missão. O presidente acrescentou que uma segunda operação envolveu 155 aeronaves.
Trump voltou a destacar a operação como uma demonstração de força militar americana, afirmando que as tropas “eliminaram todas as ameaças” e deixaram o território iraniano sem baixas.
Pressão em repórter
Durante a entrevista, Trump afirmou também que vai pedir que o repórter que divulgou pela primeira vez que um piloto no Irã havia sido resgatado revelasse sua fonte, e o ameaçou com prisão se ele se recusasse.
“Temos que encontrar essa pessoa. É alguém doente”, afirmou. “O vazador deveria ir para a prisão.”
Na coletiva, Trump esteve acompanhado pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, pelo chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, e pelo diretor da CIA, John Ratcliffe.
Ratcliffe confirmou que os EUA conduziram uma operação de desinformação para despistar forças iranianas durante o resgate de militares.
Segundo ele, a ação deixou o Irã “envergonhado e, no fim, humilhado” pelo sucesso da missão, em fala repetida por Hegseth momentos depois.
Presidente pede revolta popular
Trump afirmou que a população do Irã deveria se rebelar contra o regime do país, embora tenha reconhecido que esse movimento pode trazer “consequências graves”.
Durante coletiva de imprensa, Trump afirmou que os iranianos estariam dispostos a enfrentar perdas de infraestrutura em troca de liberdade. O republicano, porém, não entrou em detalhes ou forneceu provas sobre sua afirmação.
O presidente também avaliou que o novo governo do país é “muito mais inteligente e controlado”. Ele voltou a indicar que Washington trabalha com diferentes cenários para lidar com a crise, mas evitou detalhar sua estratégia.
“Tenho o melhor plano de todos para o Irã, mas não vou dizer qual é para a imprensa”, afirmou. Trump também comentou a situação no mercado de energia e disse que esperava a retomada das exportações de petróleo por parte dos curdos, mas também não entrou em detalhes.
Dia de ataques
Durante o pronunciamento, Hegseth afirmou que “este será o maior volume de ataques desde o primeiro dia da operação no Irã”.
“Amanhã (terça-feira, 7), o Irã tem uma escolha. Escolha sabiamente”, disse, ao reforçar que o republicano “não blefa”.
O militar americano que estava desaparecido no Irã foi resgatado pelos Estados Unidos.