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Um dia após ser alvo da PF, Ciro Nogueira teve avião de quase R$ 10 mi bloqueado por Mendonça
Decisão de ministro do STF foi tomada no contexto das investigações sobre fraudes no Banco Master
Por Dulina Fernandes
Publicado em 20/05/2026 18:36
Brasil
Ciro teria recebido benefícios de Vorcaro, segundo investigação Andressa Anholete/Agência Senado

Um dia depois de ser alvo de uma operação da Polícia Federal no inquérito que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teve uma aeronave avaliada em quase R$ 10 milhões sequestrada por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.

No jargão jurídico, o sequestro acompanhado de indisponibilidade significa que o bem foi bloqueado pela Justiça. A medida consta em uma certidão detalhada do Registro Aeronáutico Brasileiro, emitida pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), responsável por registrar o histórico jurídico e operacional de aeronaves no país.

O R7 tenta contato com a defesa de Ciro. O espaço segue aberto para manifestação.

 

O bem atingido pela ordem judicial é uma aeronave Beechcraft King Air B200, de matrícula PT-WSX e número de série BB-1266. O avião aparece oficialmente registrado em nome de Ciro Nogueira e de sua ex-mulher, a ex-deputada Iracema Portella.

Segundo a investigação, o senador foi apontado como beneficiário de vantagens financeiras e patrimoniais supostamente concedidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com a PF, em troca, o parlamentar recebia uma série de benefícios custeados pelo empresário.

 

Os investigadores afirmam que Ciro tinha acesso a um imóvel de alto padrão pertencente a Vorcaro “como se fosse do próprio parlamentar”. A apuração também cita viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados pagos pelo grupo ligado ao banqueiro.

Venda do avião

Os registros da Anac mostram que a aeronave havia sido negociada por Ciro Nogueira em agosto de 2023.

 

Na época, o senador, Iracema e uma construtora que também dividia a propriedade do avião assinaram um contrato de compra e venda com cláusula de reserva de domínio. A aeronave foi vendida para duas empresas do setor de eventos.

O valor acertado no contrato foi de US$ 2 milhões. Considerando a cotação do dólar em torno de R$ 4,90 na época da negociação, o montante equivalia a aproximadamente R$ 9,8 milhões.

O pagamento seria feito em parcelas, com previsão de quitação até novembro de 2025.

Apesar da negociação, a transferência definitiva da propriedade não foi concluída. Isso ocorreu porque o contrato previa uma cláusula de reserva de domínio — mecanismo pelo qual o vendedor continua sendo o proprietário legal do bem até que todas as parcelas sejam quitadas.

Por esse motivo, mesmo após a venda, Ciro e Iracema continuavam aparecendo como proprietários formais da aeronave quando o STF determinou o sequestro do bem. As empresas compradoras figuravam apenas como operadoras do avião.

 

 

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