Microexplosão atmosférica foi registrada em Piracuruca
Uma microexplosão atmosférica, conhecida como microburst, atingiu o município de Piracuruca, no Norte do Piauí, no fim da tarde dessa quarta-feira (17), provocando diversos estragos e assustando moradores. O fenômeno gerou rajadas de vento superiores a 80 km/h,derrubou árvores e postes de energia, destelhou residências e danificou fachadas de estabelecimentos comerciais.
Imagens registradas por moradores mostram o rastro de destruição deixado pelos ventos em diferentes pontos da cidade. Além dos danos estruturais, objetos foram arrastados pela força das rajadas, causando transtornos à população.
Segundo o climatologista Werton Costa, diretor de Prevenção e Mitigaçãoda Secretaria de Defesa Civil do Piauí (Sedec-PI), o evento registrado em Piracuruca é considerado um fenômeno meteorológico severo, com potencial para provocar danos materiais e até lesões em pessoas.
Piracuruca registrou nesse fim de tarde um fenômeno com potencial de severidade, ou seja, um fenômeno de alto risco, com potencial para provocar dano ou lesão, e que é muito semelhante a um tornado, porém não rotaciona, explicou. ao portal PiauíHoje.com.
Apesar do cenário de destruição, não havia informações oficiais sobre feridos até a última atualização desta reportagem.
De acordo com o especialista, a principal diferença entre um tornado e uma microexplosão está no comportamento dos ventos. Enquanto o tornado apresenta movimento rotacional, o microburst ocorre a partir de uma forte corrente de ar descendente que atinge o solo e se espalha horizontalmente.
"A rajada de vento é linear, porque ela sai do interior de uma nuvem na vertical, numa chamada corrente descendente, ricocheteia, deflete no solo e alcança velocidade, provocando o tombamento de árvores, destelhamentos, arrasto de objetos, partículas e podendo lesionar o ser humano", afirmou.
O que é uma microexplosão atmosférica?
Conforme a Defesa Civil, uma microexplosão atmosférica é uma corrente de ar extremamente forte que desce rapidamente de uma nuvem de tempestade em direção ao solo. Ao atingir a superfície, essa massa de ar se espalha em todas as direções com grande intensidade, produzindo ventos potencialmente destrutivos.
Embora seja um fenômeno localizado, geralmente com menos de quatro quilômetros de diâmetro, ele pode gerar rajadas superiores a 100 km/h e causar quedas de árvores, destelhamentos, interrupção no fornecimento de energia elétrica e danos a estruturas urbanas.
Werton Costa explica que o fenômeno está associado a condições atmosféricas específicas e ao forte aquecimento do ar.
"Esse fenômeno é chamado de microburst, ou microexplosão, e geralmente é provocado pela presença de uma nuvem que, em condições muito especiais, libera uma forte rajada de vento descendente, ou seja, uma forte rajada na vertical", destacou.
Segundo ele, as altas temperaturas desempenham papel fundamental na formação dessas ocorrências.
"Muito relacionado a condições termodinâmicas, ou seja, de diferença de temperatura e superaquecimento do ar. São as temperaturas elevadas que alimentam essa cinética, essa mecânica do ar com potencial para se transformar num pequeno desastre", completou.
Fenômeno é de difícil previsão
A Defesa Civil ressalta que as microexplosões atmosféricas são consideradas eventos meteorológicos severos e de difícil previsão local. Elas costumam estar associadas a tempestades convectivas intensas, comuns em períodos de forte aquecimento e instabilidade atmosférica.
Apesar da intensidade dos ventos e dos prejuízos registrados em Piracuruca, não havia informações oficiais sobre feridos até a última atualização. Equipes da Defesa Civil seguem monitorando a situação e realizando levantamentos para avaliar a extensão dos danos causados pelo fenômeno.