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Dono da DF Group usa ostentação para enganar vítimas e aplicar golpe milionário no Piauí
Douglas Fonseca foi preso em Teresina acusado de aplicar golpes que rendeu R$ 100 milhões; ele usava fotos em aviões e carros de luxo para atrair vítimas
Por Dulina Fernandes
Publicado em 11/07/2026 08:14
Polícia
Prisão de Douglas Fonseca

A promessa de dinheiro fácil e a imagem de sucesso construída nas redes sociais foram as armas usadas por uma organização criminosa para aplicar um golpe milionário no Piauí. Mas o golpe pode ter chegado ao fim. Na tarde desta sexta-feira (10), o dono da DF Group, Douglas Fonseca de Araújo, foi preso em Teresina durante uma operação da Polícia Civil do Piauí.

Durante a operação policiais informaram que estava sendo desarticulado um esquema de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As autoridades estimam que o grupo movimentou cerca de R$ 100 milhões em dois anos e que somente na capital piauiense haja pelo menos 70 vítimas.

O caso revela a facilidade com que pessoas são enganadas por vigaristas que utilizam uma fórmula antiga, mas atualizada para a era digital: a ostentação como isca. Douglas Fonseca se apresentava como um trader de sucesso em suas redes sociais, onde acumulava 360 mil seguidores. As postagens mostravam uma vida glamourosa, com viagens internacionais, carros e imóveis de luxo, além de mensagens motivacionais.

A armadilha da ostentação

Segundo as investigações, a fachada de riqueza era a principal tática para atrair investidores. Em coletiva de imprensa, o delegado Roni Silveira, revelou que as postagens eram fabricadas. “Eram posts com aviões que ele claramente não tinha, porque ele ia lá no aeroporto para tirar fotos e enganar as pessoas”, afirmou. O sistema que o trader dizia usar para operar no mercado financeiro também era falso, pois ele não tinha autorização do Banco Central ou da CVM para operar no mercado financeiro.

“Eram viagens, ostentação de veículos de alto padrão. E isso era também uma forma de atrair aqueles que acreditavam estar de fato investindo numa empresa séria, numa empresa que atuava no mercado de capitais”, explicou o delegado. A promessa de lucros de 10% ao mês completava o engodo para atrair pessoas em busca de rentabilidade acima da média.

“Os golpistas seguem o calendário e exploram contextos de vulnerabilidade econômica e a expectativa de obtenção de dinheiro fácil”, explica um levantamento do Observatório Lupa sobre a dinâmica dos golpes digitais no Brasil. O estudo aponta que 71% das fraudes prometem vantagens financeiras e 74% exploram a credibilidade de marcas ou personalidades conhecidas. No caso da DF Group, a própria imagem do dono era a "marca" usada para conferir legitimidade ao esquema.

O número de vítimas, no entanto, pode ser ainda maior, já que a SSP-PI mantém diálogo com a Polícia Civil de São Paulo, onde também há processos contra Douglas Fonseca. A DF Group acumula mais de 100 boletins de ocorrência  de pessoas que investiram e não tiveram o retorno prometido. A Justiça do Piauí determinou a suspensão das atividades da empresa, o bloqueio de contas bancárias e a apreensão de veículos.

Quem é a DF Group?

A DF Group, ou DF Group Invest, é uma empresa com sede em Teresina (PI) que operava como plataforma de investimentos. A empresa atraía investidores com a promessa de altos retornos financeiros diários ou mensais, atuando de forma parecida a uma "pirâmide financeira" ou esquema de fraude.

Como se proteger

O caso da DF Group é um alerta sobre os riscos de investimentos oferecidos por meio de redes sociais. A falsa sensação de segurança criada por uma imagem de sucesso e promessas de lucros exorbitantes é um dos principais mecanismos de engenharia social usados por criminosos.

O relatório "A Jornada dos Golpes 2026"  aponta que o Brasil registra uma tentativa de fraude a cada dois segundos , com o Pix sendo o meio preferencial para transferência de valores ilícitos . Por isso, a recomendação de especialistas é sempre desconfiar de promessas de dinheiro fácil e verificar a idoneidade de empresas e profissionais no site da CVM e do Banco Central antes de qualquer investimento.

Tática utilizada no golpe 

Descrição: ostentação fabricada em posts com fotos de aviões, carros e viagens que não pertenciam ao golpista, usados para criar uma falsa imagem de sucesso.
Promessas Irrealistas: Oferta de lucros de 10% ao mês, muito acima do mercado financeiro tradicional.
Falta de Regulação: Atuação sem autorização do Banco Central ou da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Sistema Falso: Uso de uma plataforma de investimentos totalmente controlada e manipulada pelo golpista.

Dados e impacto do esquema:

· Movimentação Financeira: Cerca de R$ 100 milhões em dois anos.
· Vítimas em Teresina: Estimativa de 70 pessoas.
· Boletins de Ocorrência: Mais de 100 registros contra a DF Group.
· Seguidores do CEO: 360 mil no Instagram, usados como plataforma para atrair vítimas .
· Presos na Operação: 10 pessoas, incluindo o CEO e a gerente da empresa.

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