Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez neste sábado (22) uma forte defesa da candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do Rio, elogiou a atuação do governador em exercício, Ricardo Couto, e afirmou que o estado precisa deixar as páginas policiais para recuperar protagonismo político. O petista, que disputa a reeleição, participou ao lado de Paes de um ato de campanha em Bangu, na Zona Oeste do Rio.
Lula classificou Paes como uma “necessidade para o povo do Rio de Janeiro” e disse que estará empenhado “de corpo e alma” na eleição do aliado. Ao relembrar a aproximação dos dois, iniciada na campanha municipal de 2008, admitiu que a relação começou marcada por divergências.
“A gente não escolhe irmão, a gente não escolhe pai, a gente não escolhe mãe, agora amigo a gente escolhe, e hoje eu posso dizer para vocês, o Eduardo Paes não é apenas meu amigo, ele é uma necessidade para o povo do Rio de Janeiro”, declarou.
Lula também fez um pedido explícito de voto em Paes e defendeu que diferenças partidárias sejam deixadas de lado. Para o presidente, a eleição do ex-prefeito é necessária para que o Rio recupere “sua autoestima” e “sua respeitabilidade a nível internacional”.
Elogios a Ricardo Couto
Um dos momentos de maior destaque do discurso ocorreu quando Lula citou o governador em exercício Ricardo Couto. O presidente elogiou a gestão do desembargador, que assumiu o Executivo sem trajetória político-partidária, e afirmou que Paes deverá dar continuidade ao trabalho caso seja eleito.
“Deus nos deu um homem chamado Ricardo Couto, que é o nosso governador, governador interino, um homem que jamais pensou ser governador, jamais pensou, nunca foi filiado a partido político, nunca disputou uma eleição”, afirmou.
Lula prosseguiu dizendo que estava na hora de o Rio ter “alguém para moralizar esse Estado” e acrescentou: “Eu queria dar os parabéns ao Ricardo Couto, porque ele está fazendo uma limpeza que você vai ter que continuar quando ganhar as eleições”.
O presidente também pediu votos para os candidatos ao Senado que integram sua aliança e afirmou que o objetivo é fazer o Rio “sair das páginas de jornais, nas páginas policiais” e voltar para “a página política”.
Paes diz que crime chegou ao Palácio Guanabara
Antes de Lula, Paes fez um discurso duro contra seus adversários. O candidato afirmou que “o Estado do Rio de Janeiro chegou no fundo do poço” e colocou o avanço do crime organizado sobre estruturas públicas no centro de sua crítica.
“Nós estamos falando, presidente, que com essa turma o crime organizado sentou no Palácio Guanabara, sentou no Palácio Guanabara”, declarou. Paes citou investigações da Polícia Federal e prisões envolvendo políticos fluminenses para sustentar sua argumentação.
O candidato também resgatou sua relação política com Lula, iniciada em 2008, e ressaltou que a atual aliança não significa ausência de divergências. “O que nós estamos fazendo aqui não é uma aliança de iguais”, afirmou, ao defender a união de diferentes forças políticas em torno de um objetivo comum.
Segundo Paes, esse objetivo agora é “salvar o Rio de Janeiro”. O candidato afirmou que há áreas próximas ao local do evento onde o Estado perdeu o “monopólio da força” e acusou os atuais grupos políticos que comandaram o governo fluminense de não conseguirem enfrentar a expansão territorial do crime.
Paes também ressaltou a importância de uma parceria com o governo federal caso seja eleito. Em tom descontraído, prometeu buscar recursos de Lula para o estado: “Elejam Lula, me elejam, vocês vão ver em 2030, não vai ser umas folhas só não, vai ter uma Bíblia, porque eu arranco o dinheiro desse homem como ninguém”.
No encerramento de sua fala, Lula voltou à própria candidatura e disse que disputa novamente a Presidência em nome de seus eleitores. “O meu candidato não sou eu, o meu candidato são vocês, o meu candidato é o povo brasileiro”, afirmou.