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Praga ameaça cajucultura e faz Piauí decretar emergência em três cidades
Medida atinge Santo Antônio de Lisboa, Francisco Santos e Monsenhor Hipólito após confirmação de foco da mosca-branca-do-cajueiro
Por Dulina Fernandes
Publicado em 19/09/2026 12:40
Piaui
Arquivo/SADA
Mosca-branca-do-cajueiro foi identificada em áreas de Santo Antônio de Lisboa, Francisco Santos e Monsenhor Hipólito

O Governo do Piauí decretou Estado de Emergência Fitossanitária por 120 dias em três municípios do estado após a confirmação da presença da mosca-branca-do-cajueiro (Aleurodicus cocois). A praga foi identificada em áreas de Santo Antônio de Lisboa, Francisco Santos e Monsenhor Hipólito, na região de produção de caju.

A medida foi oficializada pelo Decreto nº 24.737, publicado em 17 de setembro de 2026. O documento aponta que a decisão foi tomada após levantamentos fitossanitários realizados pela Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (ADAPI) entre os dias 10 e 22 de agosto.

Segundo o decreto, a mosca-branca-do-cajueiro está entre as pragas consideradas mais destrutivas para a cajucultura. A declaração de emergência busca permitir a adoção imediata de medidas para conter e eliminar os focos identificados, além de evitar que o inseto se espalhe para outras áreas do estado.

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ADAPI poderá adotar medidas de combate

Com a declaração de emergência, o diretor-geral da ADAPI fica autorizado a estabelecer diretrizes e medidas de combate à praga, desde que respaldadas por órgãos oficiais de pesquisa.

A atuação da agência deverá considerar as informações técnicas levantadas durante as ações de fiscalização e monitoramento realizadas nos municípios afetados.

A confirmação dos focos foi registrada em nota técnica da ADAPI e em documentos que integram um processo administrativo aberto pelo órgão para acompanhar a ocorrência da praga.1789822353287.jpg

Emergência vale por 120 dias

O decreto estabelece que o estado de emergência fitossanitária terá duração de 120 dias nos três municípios. A medida entrou em vigor na data de sua publicação, assinada pelo governador Rafael Fonteles, no Palácio de Karnak, em Teresina.

A preocupação central é impedir que a mosca-branca-do-cajueiro avance para outras regiões produtoras e provoque novos focos da praga no estado.

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Região tem tradição na produção de caju

A preocupação com a ocorrência da mosca-branca ganha importância porque os municípios atingidos estão em uma região tradicional da cajucultura piauiense.

Santo Antônio de Lisboa, Francisco Santos e municípios do entorno de Picos estão entre as áreas historicamente ligadas ao cultivo do cajueiro no estado. A atividade movimenta uma cadeia que envolve produtores rurais, trabalhadores, beneficiamento da castanha e aproveitamento do pedúnculo.

Além da castanha, que pode ser beneficiada e comercializada como amêndoa, o pedúnculo do caju também é utilizado na produção de sucos, polpas, doces e cajuína, ampliando as possibilidades de aproveitamento da fruta.

A Embrapa destaca a importância da cajucultura para o semiárido piauiense e aponta a existência de milhares de hectares destinados ao cultivo do cajueiro no estado.

Produção enfrenta desafios

A cajucultura piauiense também vem enfrentando dificuldades nos últimos anos. Dados da produção agrícola mostram oscilações na produção de castanha de caju, influenciadas por fatores climáticos e problemas fitossanitários.

Em 2025, o Piauí produziu cerca de 14,5 mil toneladas de castanha de caju, segundo dados do IBGE. O volume representou uma queda em relação ao ano anterior, quando a produção chegou a aproximadamente 25,3 mil toneladas.

O cenário reforça a preocupação com o surgimento de novos problemas que possam afetar os cajueiros, principalmente em regiões onde a cultura possui importância econômica para agricultores familiares e produtores rurais.

O que é a mosca-branca-do-cajueiro

A Aleurodicus cocois, conhecida como mosca-branca-do-cajueiro, é uma praga que pode atacar plantas de caju e comprometer o desenvolvimento das árvores.

A presença do inseto exige monitoramento e adoção de medidas de controle para evitar a formação de novos focos. Por isso, a identificação da praga levou a ADAPI a realizar levantamentos nos municípios afetados e recomendar a adoção de medidas específicas.

O decreto estadual destaca que a intenção é impedir a disseminação para outras áreas do Piauí, especialmente diante da importância da cultura para diferentes municípios produtores.

Fonte: Diário Oficial do Estado

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