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Hackers roubam US$ 6,3 bi em 20 minutos; maior roubo de criptomoedas da história
Por Dulina Fernandes
Publicado em 30/10/2026 12:34
Tecnologia

Foto: Freepik

 

Hackers roubaram US$ 6,3 bilhões da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, no que é considerado o maior ataque desse tipo já registrado. Empresas especializadas em segurança digital suspeitam que a ação tenha sido realizada por um grupo ligado à Coreia do Norte.

O ataque ocorreu em cerca de 20 minutos, a partir do fim da noite de quinta-feira (29), e levou a Binance a suspender temporariamente os saques. A corretora afirmou que vai cobrir todas as perdas, mas a notícia provocou uma queda nas principais criptomoedas e aumentou a preocupação dos investidores com a segurança dos ativos digitais.

O que se sabe sobre o ataque à Binance?

As primeiras investigações indicam que a invasão pode ter começado pelo notebook de um engenheiro da Binance. Os criminosos teriam usado o equipamento para acessar um dos sistemas da corretora e realizar transferências não autorizadas para carteiras digitais sob seu controle.

A empresa informou que está analisando o computador comprometido para descobrir como ocorreu a invasão. As companhias americanas TRM Labs e Chainalysis, especializadas em rastrear transações com criptomoedas, também investigaram o caso e identificaram semelhanças com ataques anteriores atribuídos a hackers ligados ao governo norte-coreano.

Um desses episódios ocorreu em 2025, quando a corretora Bybit sofreu um roubo semelhante. Na ocasião, o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, responsabilizou a Coreia do Norte pelo crime. As características em comum levaram as duas empresas de análise a apontar, com alto grau de confiança, o possível envolvimento do país no ataque à Binance.

A Coreia do Norte nega as acusações de participação em crimes cibernéticos, mas suas representações diplomáticas não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. A Binance, por sua vez, informou que sua investigação interna ainda não identificou os responsáveis.

Apesar das perdas, a corretora garante que o dinheiro dos clientes está protegido. "Seu dinheiro está seguro e estamos cobrindo todas as perdas", declarou o co-CEO Richard Teng em uma publicação na rede social X.

A Binance também trabalha com outras empresas do setor para localizar e bloquear os recursos desviados. Até o momento, aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos ligados ao roubo foram localizados ou congelados, mas ainda não há informações sobre o destino dos US$ 3,3 bilhões restantes.

Entre as empresas que participaram dos bloqueios estão a Tether, que congelou quase US$ 1,57 bilhão, e a Circle, responsável por mais de US$ 800 milhões. A Ripple também bloqueou aproximadamente US$ 200 milhões, e a World Liberty Financial, empresa de criptomoedas apoiada pelo presidente americano Donald Trump, participou dos esforços para impedir a movimentação dos recursos.

A expectativa da Binance é retomar os serviços de saque nas próximas 48 horas. A corretora tem cerca de 335 milhões de usuários registrados em todo o mundo e mantinha aproximadamente US$ 162,8 bilhões em ativos sob sua responsabilidade, segundo o relatório anual de 2025.

Para proteger os clientes em casos de ataques, a empresa mantém um fundo de emergência de US$ 1 bilhão em bitcoin. Como o valor roubado supera essa reserva em mais de seis vezes, a Binance informou que utilizará outros recursos próprios para cobrir as perdas.

Ataque provoca queda nas criptomoedas

O bitcoin chegou a US$ 76.368, menor cotação em seis semanas, e o ether recuou mais de 3%, atingindo US$ 2.178, o menor valor em dois meses. Já o BNB, moeda digital ligada à Binance, caiu 5% em 24 horas e chegou a US$ 709,70, segundo dados da plataforma CoinGecko.

A reação negativa também atingiu empresas do setor negociadas na bolsa americana. As ações da Coinbase, que informou não ter sido afetada pelo ataque, caíram 4,8%, e os papéis da Strategy, conhecida por investir em bitcoin, recuaram quase 6% nas negociações após o fechamento do mercado.

Além das perdas financeiras, analistas avaliam que o episódio pode aumentar a desconfiança dos investidores em relação às corretoras que armazenam criptomoedas. O setor já enfrentava dificuldades diante dos juros elevados nos Estados Unidos e da menor procura por fundos de investimento ligados a esses ativos.

O ataque à Binance se soma a uma série de invasões registradas nos últimos anos. Segundo a TRM Labs, hackers desviaram US$ 2,9 bilhões em criptomoedas ao longo de 2025, em quase 150 ocorrências. Em setembro, a corretora Bitget também informou ter sofrido um ataque que resultou no roubo de aproximadamente US$ 350 milhões em ativos digitais.

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