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Mesmo com queda, embriaguez ao volante continua entre os desafios da PRF no PI
Por Dulina Fernandes
Publicado em 30/10/2026 16:08
Piaui

Foto: Ascom/PRF

 

O Piauí enfrenta mais um feriado prolongado, desta vez devido ao Dia do Servidor Público, transferido de 28 para esta sexta-feira (30), e ao Dia de Finados, feriado nacional na segunda-feira (2). Com o aumento do fluxo de veículos nas rodovias federais, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta a embriaguez ao volante como uma das principais preocupações. Apesar da redução no número de prisões neste ano, os registros ainda preocupam.

A PRF informou que registrou 127 prisões por embriaguez ao volante nas rodovias federais do Piauí entre 1º de janeiro e 27 de outubro de 2026. No mesmo período do ano passado, foram 189 detenções, uma redução de aproximadamente 32,8%.

Os dados também apontam queda no número de testes de alcoolemia realizados e nas autuações por condução de veículos sob influência de álcool. Neste ano, foram aplicados 91.893 testes do bafômetro, contra 100.651 em 2025, uma diminuição de 8,7%.

Já os autos de infração por dirigir sob efeito de álcool passaram de 317, no ano passado, para 130 em 2026, uma redução de aproximadamente 59%.

Ao Cidadeverde.com, o inspetor Wenes Alexandre, da PRF, afirmou que a redução dos registros pode estar relacionada a diferentes fatores e que não é possível apontar uma causa específica.

PRF registra 620 recusas ao bafômetro

Entre janeiro e 27 de outubro deste ano, a PRF contabilizou ainda 620 autos de infração por recusa ao teste do bafômetro. O número é superior ao de autuações por condução sob influência de álcool, mas não significa, por si só, que todos os motoristas que se recusaram a fazer o teste estavam embriagados.

Segundo Wenes Alexandre, a recusa ao teste não impede a aplicação de penalidades administrativas. Quando o motorista não apresenta sinais de embriaguez, ele pode ser autuado pela recusa e liberado, mas não pode continuar dirigindo. O veículo só é liberado quando outro condutor habilitado e sem sinais de consumo de álcool assume a direção.

“A pessoa não é obrigada a fazer o teste, mas, se ela se recusou e o agente viu que ela não tem sinais visíveis, ele vai fazer o auto de infração referente à recusa, cuja penalização também é a perda da CNH por 12 meses e a multa também no valor de quase R$ 3 mil. A pessoa é liberada e o veículo só vai ser liberado se aparecer um condutor habilitado sem álcool. Então, o condutor que recusa é liberado, mas não vai dirigindo”, explicou o inspetor.

Foto: Divulgação/PRF

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Dirigir sob efeito de álcool é crime?

O inspetor explicou que a consequência da abordagem depende das circunstâncias constatadas pelos agentes. No caso do teste do bafômetro, o enquadramento criminal ocorre quando o resultado atinge o limite previsto na legislação. A recusa ao teste, por sua vez, é uma infração administrativa, mas a existência de sinais de alteração da capacidade psicomotora também pode levar à prisão em flagrante.

“Partindo do pressuposto que a pessoa está embriagada, vai depender do grau de embriaguez dela. Se ela fizer o teste e der até 0,33 o resultado do aparelho, ela leva apenas uma multa, de quase R$ 3 mil, e tem a sua CNH suspensa. É uma punição administrativa, não incorreu em crime. Agora, se ela fizer o teste e der 0,34 em diante, ela já está enquadrada como um crime de trânsito. Quais são as sanções: ela vai ter também a CNH suspensa, vai receber também a multa de quase R$ 3 mil e vai ser conduzida para a delegacia porque ela vai responder pelo crime de embriaguez ao volante. Vai ser entregue na delegacia e o delegado vai fazer os procedimentos cabíveis”, explicou Wenes Alexandre.

O inspetor acrescentou que o motorista que se recusa a fazer o teste também pode responder criminalmente caso apresente sinais claros de embriaguez, como olhos avermelhados, hálito etílico, fala alterada, dificuldade de equilíbrio ou desorientação.

“Agora, se a pessoa fez a recusa, mas apresenta sinais nítidos de embriaguez, como olho vermelho, cheiro forte de álcool, fala embargada, não consegue se manter em equilíbrio, está desorientada, basta três sinais desse, o policial, de acordo com o CTB, ele pode dar voz de prisão por embriaguez ao volante, apesar de não ter feito o teste. A gente preenche um relatório, informa quais são os sinais e encaminha para a delegacia. Então, vai receber a multa, vai perder a CNH e vai ser processado por embriaguez ao volante da mesma forma. Fazendo o teste ou não, se você tiver embriagada, você vai ser penalizado”, acrescentou.

Foto: Arquivo/Cidadeverde.com

Passarela na BR-316 para driblar trânsito Teresina

PRF alerta para riscos de beber e dirigir

Wenes Alexandre ressaltou que o consumo de álcool pode comprometer os reflexos, a capacidade de julgamento e o tempo de reação dos condutores, aumentando o risco de acidentes. O inspetor também alertou para os perigos durante o feriado prolongado de Finados, quando há expectativa de aumento no fluxo de veículos nas rodovias.

“Ao estar embriagado, independente do índice, é afetado a sua capacidade psicomotora, seus reflexos ficam mais lentos, sua capacidade de julgamento fica mais lenta, embaralhada, dependendo do grau de embriaguez, então é importantíssimo que você tenha isso em mente. Mesmo que você diga que não está bêbado, mas os seus reflexos não são mais os mesmos, você pode demorar a dar uma freada, demorar a desviar de um objeto, pode se atrapalhar com os pedais do veículo, que acaba acontecendo também, então é um risco não só para você, mas para as outras pessoas também, é uma conduta muito arriscada, proibida por lei e a gente pede o máximo de colaboração da sociedade quanto a isso”, reforçou.

O inspetor recomendou que os motoristas que pretendem consumir bebidas alcoólicas escolham outra forma de voltar para casa, como táxi, transporte por aplicativo ou carona com alguém que não tenha bebido.

“Você pode beber, festejar, mas eleja o motorista da rodada, alguém que não bebe para dirigir e te levar para casa ou um táxi, um carro por aplicativo. Então, pode beber, faça a sua celebração, comemore, mas não dirija. Você pode estar salvando a sua vida e a de outras famílias ao adotar essa postura segura. A gente conta com o apoio da população, que, se for beber, não dirija, porque as consequências têm sido muito danosas, principalmente para os motociclistas”, finalizou o inspetor.

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