Foto: Zanone Fraissat/FolhapressTarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro.
Uma servidora pública com deficiência foi exonerada de um cargo comissionado no governo de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), dois dias depois de criticar uma declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Silvana Gimenes ocupava a função de coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
A manifestação foi publicada no sábado (24 de outubro), após Flávio utilizar a expressão “nove dedos” para se referir a Lula durante o debate presidencial da TV Globo. O presidente perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho, quando tinha 17 anos e atuava como torneiro mecânico.
Na publicação, Silvana relacionou a declaração a manifestações de preconceito contra pessoas com deficiência e outros grupos sociais.
“Ao ouvir o 22 chamar Lula de ‘nove dedos’, apenas constatei o que sempre digo. O preconceito, o racismo, o capacitismo, a LGBTfobia podem estar escondidos, mas sempre vêm à tona”, escreveu.
A servidora também relatou sua experiência pessoal e destacou a importância do respeito às pessoas com deficiência.
“Sou mulher, LGBT com deficiência e luto por respeito e dignidade. Só quem sempre é alvo sabe o quanto é doloroso ser piada por ter uma deficiência, doença rara ou condição congênita. Não é ato falho, brincadeira, muito menos bobagem”, afirmou.
Servidora foi comunicada sobre exoneração na segunda-feira
Na segunda-feira (26), ao chegar ao trabalho, Silvana recebeu a informação de que deixaria a função. Segundo ela, o secretário estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, comunicou ao seu superior que faria mudanças na equipe e começaria por ela.
“Infelizmente, a justificativa utilizada pelo secretário Marcos da Costa para o meu superior foi que haveria mudanças na equipe e que ele começaria por mim. Dito isso, recebi uma ligação comunicando que voltasse para minha casa, pois não fazia mais parte da equipe”, relatou ao UOL.
Silvana tem 41 anos de trajetória no serviço público e atua na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Ela esclareceu que não perdeu o vínculo com o funcionalismo estadual, mas apenas o cargo de livre nomeação e exoneração.
A servidora também evitou afirmar que a decisão tenha sido uma retaliação pela publicação nas redes sociais.
“Mudanças são comuns em novas gestões, por isso, não tenho o que falar ou comentar. Só posso supor o motivo e, no campo das suposições, não há o que falar”, declarou.
Governo fala em ajustes administrativos
Em resposta ao UOL, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência afirmou que o cargo ocupado por Silvana é de livre nomeação e exoneração. A pasta atribuiu o desligamento a mudanças administrativas.
“A exoneração da então titular decorreu de ajustes administrativos na secretaria”, informou a Secretaria.
A exoneração foi formalizada por resolução da Casa Civil publicada no Diário Oficial do Estado em 28 de outubro.