A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou nesta sexta-feira (20) as taxações globais impostas pelo presidente Donald Trump a diversos países no ano passado. A Corte decidiu que o presidente "extrapolou a autoridade ao impor o amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA".
Por seis votos a três, a maioria dos ministros concluiu que a lei usada pelo governo dos EUA não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Em resposta, Donald Trump informou que usará um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato.
Com a decisão, o mel piauiense deve passar a ter tarifa de 10% sobre a importação nos Estados Unidos. Duas decisões anteriores já haviam retirado alguns itens da lista do 'tarifaço' imposto por Trump, mas o mel não havia sido contemplado. Agora, o produto e outros itens brasileiros como o café solúvel, a uva e os pescados podem ser beneficiados.
Caso as tarifas fossem mantidas, a exportação de mel do Piauí poderia sofrer perdas estimadas em até R$ 95 milhões. O impacto recaía diretamente sobre o setor apícola piauiense, já que cerca de 95% da produção estadual é destinada ao mercado dos Estados Unidos.
O diretor da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), Sitônio Dantas, contou que nesta sexta-feira (20), voltou a ligar as máquinas de produção após 2 meses de portas fechadas. A expectativa é retomar as exportações ainda este mês.
"Durante a tarde [desta sexta], clientes norte-americanos começaram a ligar para informar sobre a decisão das tarifas. Antes disso, esses clientes estavam tentando comprar mel em países como o Chile e Argentina", disse.
Sitônio contou que as últimas vendas foram concluídas no fim de 2025, a partir de contratos firmados no início do ano passado.
"Depois que o tarifaço começou a valer, a situação ficou muito difícil, os pedidos não chegaram mais e pra piorar, a seca extrema afetou em cheio a produção, que teve uma queda de 35%", comentou.
O diretor da Casa Apis afirmou que o momento é de avaliar a retomada das negociações de compra, além das condições de safra, que determinam quanto vão conseguir vender e o que pode ser implementado para melhorar a produção.
A primeira medida de isenção do tarifaço, no dia 14 de novembro de 2025, retirou a tarifa recíproca de 10%, imposta em abril, para cerca de 200 produtos alimentícios de diversos países.
No dia 20 do mesmo mês, uma segunda medida foi direcionada ao Brasil, e suspendeu a sobretaxa de 40%, anunciada em julho, para mais de 200 produtos, que foram acrescentados à lista anterior de quase 700 exceções ao tarifaço.