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Governo Lula reage ao tarifaço dos EUA e aciona Lei de Reciprocidade
Itamaraty notificará o governo americano e pedirá consultas diplomáticas; Planalto considera tarifas “injustificadas e arbitrárias”
Por Dulina Fernandes
Publicado em 13/08/2026 21:31
Geral

Ogoverno brasileiro decidiu dar um novo passo na reação às tarifas impostas pelos Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores vai notificar oficialmente o governo americano sobre o início do processo previsto na Lei de Reciprocidade e, ao mesmo tempo, solicitar a realização de consultas diplomáticas entre os dois países.

A iniciativa eleva o nível da resposta brasileira à política tarifária dos Estados Unidos, mas mantém aberta uma frente de negociação. Segundo o comunicado divulgado pelo governo, o Brasil vinha atuando junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na tentativa de encerrar as investigações abertas com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

O governo brasileiro sustenta ainda ter apresentado evidências para contestar cada uma das acusações relacionadas a supostas práticas comerciais desleais do país.

Governo contesta tarifas

Na manifestação, o governo brasileiro endureceu o discurso ao classificar as medidas adotadas pelos Estados Unidos como sem justificativa.

“As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, afirma o texto divulgado pelo governo.

O início do procedimento previsto na Lei de Reciprocidade representa uma nova etapa na reação brasileira. Paralelamente, o pedido de consultas diplomáticas sinaliza que o governo pretende manter os canais de diálogo com Washington enquanto avalia os instrumentos disponíveis para responder às medidas americanas.

A Lei de Reciprocidade estabelece mecanismos que podem ser utilizados pelo Brasil diante de medidas unilaterais adotadas por outros países que afetem interesses comerciais brasileiros.

Brasil promete reduzir impactos

Além da reação diplomática e comercial, o governo afirmou que continuará adotando medidas para tentar limitar os efeitos das tarifas sobre a atividade econômica, empresas, trabalhadores e exportadores brasileiros.

“O governo do Brasil seguirá atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas dos Estados Unidos à economia e à renda dos brasileiros”, informou.

No comunicado, o governo também reiterou a defesa do multilateralismo e da reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC). A estratégia anunciada inclui ainda a busca pela diversificação das parcerias comerciais brasileiras e a abertura de novos mercados para produtos nacionais.

Setores afetados terão proteção

Brasília informou também que pretende manter medidas destinadas aos setores diretamente atingidos pelas tarifas americanas. Essas ações serão conduzidas por meio do Plano Brasil Soberano.

Segundo o governo, o objetivo é preservar empregos e evitar perdas na capacidade produtiva nacional enquanto permanecerem os efeitos das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

A decisão de acionar o processo previsto na Lei de Reciprocidade ocorre, portanto, em duas frentes: de um lado, o Brasil formaliza uma reação às tarifas; de outro, solicita consultas diplomáticas e mantém aberta a possibilidade de negociação com o governo americano.

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