Foto: Reprodução Galina Bobreneva e Brent Jindra aguardam em uma fila para apresentação ao ICE em San Francisco, Califórnia
O americano Brent Jindra, que votou três vezes em Donald Trump por apoiar, entre outras pautas, a política de combate à imigração, passou a criticar as medidas adotadas pelo governo depois que sua própria esposa, a russa Galina Bobreneva, foi presa por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE). A russa disse que não foi tratada como um ser humano da prisão.
Bobreneva foi detida em um aeroporto da Califórnia e permaneceu 16 dias sob custódia das autoridades migratórias. Agora, ela responde a um processo de imigração, está em liberdade sob fiança e utiliza uma tornozeleira eletrônica.
O casal desembarcou no aeroporto de Burbank, na Califórnia, em 13 de julho, após um voo vindo de São Francisco. Segundo o relato de Jindra e Bobreneva, agentes à paisana abordaram a russa e fizeram perguntas durante cerca de 15 minutos.
Um dos agentes informou que ela havia sido selecionada para uma “inspeção secundária”. Em seguida, Bobreneva foi algemada e levada em um veículo sem identificação.
Esposa russa entrou legalmente nos EUA
Bobreneva chegou aos Estados Unidos no fim de 2021 com um visto de turista. A autorização de permanência foi prorrogada duas vezes após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Em 2022, ela solicitou asilo no país. A russa conheceu Jindra em março de 2025 e os dois se casaram em dezembro do mesmo ano.
Em abril de 2026, o americano apresentou às autoridades migratórias um pedido de green card para a esposa com base no casamento. O processo foi aceito, mas, segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, a mulher permanecia em situação migratória irregular por ter ultrapassado o período autorizado de permanência.
A pasta classificou Bobreneva como “estrangeira ilegal” e afirmou que um pedido migratório pendente ou uma autorização de trabalho não garantem, por si só, status legal no país.
“Ela não pulou um muro”
A prisão da esposa fez Jindra mudar o tom em relação à política migratória do governo Trump.
O americano afirmou que a política deveria ser direcionada a pessoas que entram ilegalmente no país e não a imigrantes que possuem processos migratórios em andamento.
“Ela não pulou um muro, não atravessou um rio a nado. Ela entrou pela bela e grande porta da frente de Trump”, declarou Jindra.
A frase faz referência ao fato de Bobreneva ter entrado nos Estados Unidos com documentação e por meio de um aeroporto, antes de permanecer no país além do período autorizado.
Russa ficou 16 dias detida
Após ser presa no aeroporto, Bobreneva passou uma noite em uma cela no centro de Los Angeles e depois foi transferida para um centro de detenção em Adelanto, no deserto de Mojave.
Ela relatou ter sido transportada algemada pelos tornozelos, cintura e pulsos. Durante a detenção, afirmou ter enfrentado condições precárias, como falta de água potável, problemas nos chuveiros e luzes permanentemente acesas.
“Eu me senti como um pedaço de carne, não como um ser humano. Você se torna um número”, relatou.
O Departamento de Segurança Interna contestou as acusações e afirmou que os imigrantes detidos recebem alimentação, água, atendimento médico e acesso a familiares e advogados.
Com auxílio de um advogado, Bobreneva conseguiu uma audiência e foi libertada em 29 de julho, após o pagamento de US$ 35 mil em fiança, equivalente a cerca de R$ 182 mil. O ICE determinou ainda o uso de tornozeleira eletrônica e o comparecimento a uma apresentação obrigatória em São Francisco.
A primeira audiência judicial do processo migratório está marcada para 22 de outubro. O caso pode se estender por vários meses.